Mudança deu o tom. Adaptabilidade, o caminho. #Inclusão, a ferramenta. E coragem, a força motriz. Ainda não há respostas prontas para resolver todas as questões do momento de transformação e disrupção que vivemos.
Quando um gênio que marcou gerações sobe ao palco, todo mundo se levanta para aplaudir de pé. Assim Steven Spielberg foi recebido no SXSW. A sessão foi uma transmissão ao vivo do podcast The Big Picture, apresentado por Sean Fennessey. Conhecemos um Steven Spielberg engraçado, carismático e sensível, mais do que qualquer técnica ou tecnologia.
Ao relembrar sua trajetória e legado, a conversa foi um mergulho na paixão duradoura de Steven Spielberg por contar boas histórias. Essas histórias vêm, desde cedo, de uma imaginação muito fértil e inquieta, a mesma que também desencadeou muitos medos. Esse impulso de “expulsar os demônios do medo e colocá-los em outra pessoa” foi o que despertou seu interesse por fazer filmes.
Paradoxalmente, outro empurrão foi a censura dos pais aos conteúdos que ele podia assistir quando criança. “As vezes, quando o acesso às histórias (media) lhe é negado, você cria as suas próprias.”
Processo criativo: intuição, colaboração e confiança
Para Spilperg intuição fala mais alto que intelectualização no seu processo criativo. “Nossa melhor amiga é nossa intuição”. Alguns filmes, como os que envolvem muitos efeitos especiais, exigem mais planejamento. Mas, no geral, seu processo parte do que ele sente. “Muitas vezes eu chego ao set sem nenhum planejamento concreto a não ser contar a história da melhor maneira que eu posso. E eu amo fazer isso em colaboração com a equipe.”
Ele contou que muitas vezes chega bem mais cedo ao set. Tom Hanks, protagonista de alguns dos seus maiores filmes, é um dos que também costuma chegar antes para que os dois possam pensar juntos em como será o dia.
Mas nem sempre o processo vem da troca de ideias. E, nesses momentos, a confiança é o que faz a diferença. Muitas vezes ele precisa dirigir e direcionar sem justificar. “Mais tarde eu explico para eles o porquê, mas primeiro eu preciso colocar para fora. (…) Eu só preciso que o elenco confie”.
Reconhecimento
Dentro de tantos prêmios e blockbusters, será que há algo que ainda impressiona Spielberg no set? Sim, e muito. “Eu fico tocado muitas vezes. E o que sempre me deixa assim é a atuação.”
A ponto de fazê-lo chorar com Daniel Day-Lewis durante as filmagens de Lincoln. Nesse momento, quem deu suporte a ele foi Kristie Macosko, “uma das maiores produtoras com quem já trabalhei em toda a minha vida”. Kristie, que trabalha com o cineasta há anos, estava na plateia do SXSW assistindo à conversa.
E.T. Não são apenas as nossas vidas que foram impactadas pelo filme E.T.. Spielberg também considera a obra um marco na sua vida pessoal. O contato com as crianças despertou nele o desejo de ser pai. Hoje tem sete filhos e seis netos e afirma que, há 20 anos, a família é sua grande prioridade. O cinema vem depois.
Também ficam para a família as suas melhores histórias, aquelas que nunca chegaram às telas. “Eu tenho sete filhos e colocava todos para dormir contando histórias, indo de quarto em quarto, como um médico visitando paciente. Então quem se beneficiou das minhas melhores histórias foram os meus filhos.”
Redes Sociais e IA
O cineasta afirma que não tem redes sociais e a única vez que se aventurou nelas se assustou com o tempo perdido. “Aquilo come o relógio!”. São seus filhos que o mantêm atualizado sobre o que acontece ali. “Eles me contam as coisas que eu preciso saber”.
Tecnologia, principalmente o que há de mais inovador, está presente em muitos dos efeitos especiais dos seus filmes. Mas a Inteligência Artificial não. Spielberg foi categórico ao dizer que nunca usou IA em suas obras. É tudo fruto de mentes criativas. A sala de roteiristas, segundo ele, está sempre cheia – de pessoas. “Não existe uma cadeira vazia com um laptop na frente (trabalhando sozinho)”, provocou.
Futuro e História
Spielberg é fascinado por boas histórias e conta com a sua imaginação vibrante para criá-las. Já falou sobre o futuro em muitos de seus filmes, mas diz que gosta mesmo de contar histórias sobre o passado.
Fã de História e de biografias, ele se interessa pelo o impacto que determinados episódios têm na vida humana. “Eu encontrei muita riqueza nas histórias sobre o passado”. Com elas aprendemos, entendemos o presente, e pensamos no futuro que queremos construir.
Aposentadoria
Aos 79 anos, Spielberg diz que aposentar não está nos seus planos: “Eu nunca quero parar”. Em junho lança seu novo filme Disclosure Day. Na trama a humanidade descobre que há vida extraterrestre. Se ele acredita em ETs?
“Todo mundo deveria acreditar. Ninguém deve pensar que nós somos a única civilização inteligente no universo inteiro. Eu sempre acreditei, desde criança, que não estamos sozinhos”, afirmou.
Mas garantiu que não tem nenhuma informação privilegiada ou saiba de algo diferente do que o resto da população já sabe. Ainda assim disse que adoraria encontrar alienígenas. Quando perguntado qual filme mostraria aos aliens para representar a criatividade humana, respondeu:
“Filme meu seria E.T.”, disse arrancando risos da plateia. “Mas, se fosse para mostrar um filme que representasse a gentileza dos humanos, a bondade intuitiva das pessoas, mesmo quando saem um pouco do trilho, seria A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra.”
O próximo sonho
Para nossa sorte, Spielberg realmente não pretende parar. O cineasta está prestes a produzir um filme que sonha em fazer há muito tempo: um western (faroeste).
No entanto, ainda não pode revelar muitos detalhes.
“Vai ter cavalos. Vai ter armas. Mas não vai ter nenhum clichê típico do gênero”, afirmou, em mais um momento bem-humorado.
Mesmo depois de 50 anos de carreira e de alguns dos filmes mais marcantes da história do cinema, Spielberg continua fazendo o que sempre fez desde criança: usar uma imaginação fértil para criar histórias capazes de atravessar gerações.
Ao longo de uma hora, ouvimos o cineasta relembrar sua trajetória, entramos um pouco em sua mente brilhante e absorvemos algo de seu processo criativo.
No SXSW Spielberg nos deixou algumas lições:
Mudança deu o tom. Adaptabilidade, o caminho. #Inclusão, a ferramenta. E coragem, a força motriz. Ainda não há respostas prontas para resolver todas as questões do momento de transformação e disrupção que vivemos.
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